22 dezembro 2006
Luís Montenegro fala sobre a derrota nas eleições internas do PSD para o distrito de Aveiro
“Eu assumo as minhas responsabilidades na íntegra”
Apesar de ter ganho em 11 dos 19 concelhos de Aveiro, Luís Montenegro perdeu a corrida para presidente da Comissão Política Distrital do PSD de Aveiro por 221 votos. O deputado não lamenta a candidatura e afirma que continuará a empenhar-se na vida do partido.
Irina Melo
A Assembleia da República é a casa que Luís Montenegro frequenta há já quase cinco anos ( está agora no segundo mandato) e que já conhece na perfeição. Após a entrevista ao JORNAL DE ESPINHO, nos paços perdidos, o deputado fez questão de mostrar grande parte do edifício onde passa os seus dias, para logo se dirigir ao hemiciclo onde votaria favoravelmente uma proposta do PSD com vista à discussão da corrupção desportiva e agravamento de penas.
Jornal de Espinho – Já telefonou ao candidato vitorioso, António Topa?
Luís Montenegro – Sim, falei com ele logo após os resultados serem conhecidos. Temos uma excelente relação pessoal e política, apesar de termos pontos de vista diferentes quanto ao futuro do partido nos próximos dois anos, o que conduziu a duas candidaturas. Falei com ele nesse dia e falaremos em breve.
JE – Esta derrota põe de alguma forma em causa a sua permanência na Assembleia da República e o trabalho que tem vindo a desenvolver?
LM – São coisas completamente distintas. Eu assumo as minhas responsabilidades na íntegra, parti para esta candidatura com o intuito de vencer os desafios do partido nos próximos anos, com uma abrangência geográfica assinalável, como demonstram os resultados ao vencermos 11 dos 19 concelhos…
JE – Mas perdeu por 200 votos.
LM – São eleições directas e cada militante tem direito a um voto. Houve um desequilíbrio que teve que ver com a capacidade de mobilização da concelhia de Santa Maria da Feira em torno de um candidato local. Eu não me queixo disso, apenas constato um facto, e julgo que valeu a pena ter protagonizado uma candidatura que contribuiu para o exercício plural da vida interna do PSD.
JE – Algum dos projectos que estavam preconizados na sua candidatura vão ter continuidade pela lista vencedora?
LM – Penso que sim. Somos do mesmo partido, visamos alcançar os mesmos fins, apenas nos distinguia a forma como o fazer. Estou disponível para contribuir para o sucesso do PSD no distrito de Aveiro sob a direcção da nova Comissão Política Distrital. Há todas as condições para aprendermos uns com os outros e enriquecermos a nossa prestação junto das populações.
JE – O que é que falta ao PSD Aveiro?
LM – Várias coisas. Falta dialogar mais com a sociedade e afirmar politicamente o distrito; falta iniciar um trabalho preparatório do ciclo eleitoral de 2009 com eleições europeias, legislativas e autárquicas; falta construir um projecto de desenvolvimento sectorial do distrito – saber o que queremos e onde devemos investir.
JE – Como vê o futuro político de Aveiro?
LM – O distrito está a precisar de ver crescer o seu peso político, ter outra capacidade de influenciar os centros de decisão, sobretudo junto do Governo. Têm sido inúmeros os exemplos de desprezo do distrito que este Governo tem dado – saúde, educação, acessibilidades – e só um poder político forte pode inverter esta tendência e trazer para Aveiro aquilo que um distrito com o dinamismo social e económico que nós temos merece.
JE – Concretamente, o que é que os deputados do PSD de Aveiro têm feito?
LM – Na saúde, inúmeros requerimentos e intervenções a propósito do possível encerramento de serviços urgências e atendimento permanente e não activação de algumas unidades de saúde previstas.
Ao nível das obras públicas, a manifestação da injustiça ao introduzir portagens nas nossas SCUT’s incumprindo uma promessa eleitoral, não sendo equitativo face a outros casos que há pelo país e não ressalvando a intercomunicação entre concelhos dentro do mesmo distrito. Mostramos estranheza por o protocolo com o MIT (Massachusetts Institute of Technology) não ter contemplado a Universidade de Aveiro…
JE – Já venceram algumas destas batalhas?
LM – Tem sido difícil porque o Governo socialista tem sido inflexível, embora muitas dessas decisões ainda sejam apenas intenções. Mantemos a esperança de que a nossa postura reivindicativa possa surtir efeito.
JE – Em relação à Comissão Política Distrital, pondera voltar a candidatar-se?
LM – É uma questão que nem se coloca. Houve eleições na quinta-feira [dia 7], há um mandato de dois anos que os órgãos eleitos devem cumprir e todos os militantes devem ter uma atitude colaborante no sentido de o PSD ter maior entrosamento com a população.
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Topa derrota Montenegro
António Topa, 52 anos, foi eleito no dia 7 de Dezembro presidente da Comissão Política Distrital de Aveiro.
O sucessor de Ribau Esteves é engenheiro civil, presidiu à Comissão Política Concelhia de Santa Maria da Feira durante dois mandatos, foi vereador da Câmara e membro da Assembleia Municipal. Actualmente pertence à Assembleia de Freguesia de Vila Maior, de onde é natural.
1731 votos foi a contagem atribuída à Lista A. Ulisses Pereira (Aveiro) e Paulo Matos (Águeda) são os novos vice-presidentes.
Luís Montenegro encabeçou a Lista B contabilizando 1510 votos. De referir que a candidatura do deputado à Assembleia da República tinha Ribau Esteves como candidato à presidência da Assembleia Distrital.
A lista A foi a mais votada em Arouca, Aveiro, Mealhada, Oliveira de Azeméis, Oliveira do Bairro, Ovar, S. João da Madeira e Santa Maria da Feira, enquanto Luís Montenegro venceu nos restantes onze concelhos. Contudo, as votações dos militantes – estavam inscritos 4924 – não espelharam esta grandeza.
No seu blog ‘4 linhas’, o deputado do PSD Hermínio Loureiro defende que a vitória de António Topa é uma “conquista interna” do presidente do PSD: “[Marques Mendes] lá vai conquistando posições internas. Desta vez foi a Distrital de Aveiro onde António Topa (apoiante de Marques Mendes) venceu de forma bem clara».
in Jornal de Espinho, - dê sua opinião
Apesar de ter ganho em 11 dos 19 concelhos de Aveiro, Luís Montenegro perdeu a corrida para presidente da Comissão Política Distrital do PSD de Aveiro por 221 votos. O deputado não lamenta a candidatura e afirma que continuará a empenhar-se na vida do partido.
Irina Melo
A Assembleia da República é a casa que Luís Montenegro frequenta há já quase cinco anos ( está agora no segundo mandato) e que já conhece na perfeição. Após a entrevista ao JORNAL DE ESPINHO, nos paços perdidos, o deputado fez questão de mostrar grande parte do edifício onde passa os seus dias, para logo se dirigir ao hemiciclo onde votaria favoravelmente uma proposta do PSD com vista à discussão da corrupção desportiva e agravamento de penas.
Jornal de Espinho – Já telefonou ao candidato vitorioso, António Topa?
Luís Montenegro – Sim, falei com ele logo após os resultados serem conhecidos. Temos uma excelente relação pessoal e política, apesar de termos pontos de vista diferentes quanto ao futuro do partido nos próximos dois anos, o que conduziu a duas candidaturas. Falei com ele nesse dia e falaremos em breve.
JE – Esta derrota põe de alguma forma em causa a sua permanência na Assembleia da República e o trabalho que tem vindo a desenvolver?
LM – São coisas completamente distintas. Eu assumo as minhas responsabilidades na íntegra, parti para esta candidatura com o intuito de vencer os desafios do partido nos próximos anos, com uma abrangência geográfica assinalável, como demonstram os resultados ao vencermos 11 dos 19 concelhos…
JE – Mas perdeu por 200 votos.
LM – São eleições directas e cada militante tem direito a um voto. Houve um desequilíbrio que teve que ver com a capacidade de mobilização da concelhia de Santa Maria da Feira em torno de um candidato local. Eu não me queixo disso, apenas constato um facto, e julgo que valeu a pena ter protagonizado uma candidatura que contribuiu para o exercício plural da vida interna do PSD.
JE – Algum dos projectos que estavam preconizados na sua candidatura vão ter continuidade pela lista vencedora?
LM – Penso que sim. Somos do mesmo partido, visamos alcançar os mesmos fins, apenas nos distinguia a forma como o fazer. Estou disponível para contribuir para o sucesso do PSD no distrito de Aveiro sob a direcção da nova Comissão Política Distrital. Há todas as condições para aprendermos uns com os outros e enriquecermos a nossa prestação junto das populações.
JE – O que é que falta ao PSD Aveiro?
LM – Várias coisas. Falta dialogar mais com a sociedade e afirmar politicamente o distrito; falta iniciar um trabalho preparatório do ciclo eleitoral de 2009 com eleições europeias, legislativas e autárquicas; falta construir um projecto de desenvolvimento sectorial do distrito – saber o que queremos e onde devemos investir.
JE – Como vê o futuro político de Aveiro?
LM – O distrito está a precisar de ver crescer o seu peso político, ter outra capacidade de influenciar os centros de decisão, sobretudo junto do Governo. Têm sido inúmeros os exemplos de desprezo do distrito que este Governo tem dado – saúde, educação, acessibilidades – e só um poder político forte pode inverter esta tendência e trazer para Aveiro aquilo que um distrito com o dinamismo social e económico que nós temos merece.
JE – Concretamente, o que é que os deputados do PSD de Aveiro têm feito?
LM – Na saúde, inúmeros requerimentos e intervenções a propósito do possível encerramento de serviços urgências e atendimento permanente e não activação de algumas unidades de saúde previstas.
Ao nível das obras públicas, a manifestação da injustiça ao introduzir portagens nas nossas SCUT’s incumprindo uma promessa eleitoral, não sendo equitativo face a outros casos que há pelo país e não ressalvando a intercomunicação entre concelhos dentro do mesmo distrito. Mostramos estranheza por o protocolo com o MIT (Massachusetts Institute of Technology) não ter contemplado a Universidade de Aveiro…
JE – Já venceram algumas destas batalhas?
LM – Tem sido difícil porque o Governo socialista tem sido inflexível, embora muitas dessas decisões ainda sejam apenas intenções. Mantemos a esperança de que a nossa postura reivindicativa possa surtir efeito.
JE – Em relação à Comissão Política Distrital, pondera voltar a candidatar-se?
LM – É uma questão que nem se coloca. Houve eleições na quinta-feira [dia 7], há um mandato de dois anos que os órgãos eleitos devem cumprir e todos os militantes devem ter uma atitude colaborante no sentido de o PSD ter maior entrosamento com a população.
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Topa derrota Montenegro
António Topa, 52 anos, foi eleito no dia 7 de Dezembro presidente da Comissão Política Distrital de Aveiro.
O sucessor de Ribau Esteves é engenheiro civil, presidiu à Comissão Política Concelhia de Santa Maria da Feira durante dois mandatos, foi vereador da Câmara e membro da Assembleia Municipal. Actualmente pertence à Assembleia de Freguesia de Vila Maior, de onde é natural.
1731 votos foi a contagem atribuída à Lista A. Ulisses Pereira (Aveiro) e Paulo Matos (Águeda) são os novos vice-presidentes.
Luís Montenegro encabeçou a Lista B contabilizando 1510 votos. De referir que a candidatura do deputado à Assembleia da República tinha Ribau Esteves como candidato à presidência da Assembleia Distrital.
A lista A foi a mais votada em Arouca, Aveiro, Mealhada, Oliveira de Azeméis, Oliveira do Bairro, Ovar, S. João da Madeira e Santa Maria da Feira, enquanto Luís Montenegro venceu nos restantes onze concelhos. Contudo, as votações dos militantes – estavam inscritos 4924 – não espelharam esta grandeza.
No seu blog ‘4 linhas’, o deputado do PSD Hermínio Loureiro defende que a vitória de António Topa é uma “conquista interna” do presidente do PSD: “[Marques Mendes] lá vai conquistando posições internas. Desta vez foi a Distrital de Aveiro onde António Topa (apoiante de Marques Mendes) venceu de forma bem clara».
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